Borbulha. Bolhinhas cristalinas estouram com sonzinhos poc bem baixinhos. Muita atenção para ouvi-los. Pare, posicione-se confortavelmente, deitado pode ser, posição sensual, e ó, assim é demais, e escute. Delicados são os poczinhos. Um após outro. ...poc...............pocpocpoc.....
.......poc.............poc.........................poc
poc.....................................poc..................................pocpoc........
................poc.......................................poc....poc
- Que tu quer?
- Quero entrar na tua bolha.
- Haha. Bobo. Se tu entrar, estoura. E a gente cai.
- Cai onde?
- Não sei.
E a janela aberta, vento batendo, levando cortina. Poc...poc...
Nossa, o que será que, o que será? O que será que ele pensou quando lhe levaram (poc... poc...)? E, levaram elas também. E depois os gritos. Nossa. E só ele voltando, o olhar, a cara de quem viu tudo acontecer, impotente. Cara. A bolha dele já era. Deixou que as coisas entrassem.
- Eu também tenho bolha?
- Deve ter, ora. Como não teria?
- Mas, todos tem?
- Ninguém vive sem bolha.
Poc...poc cada existência que se perde. Foram entrando, e não pararam. Entrou ela, depois vieram eles, e vieram as coisas, e as coisas sufocando, e ó meu deus! O que fiz da bolha que me destes?
E abaixo de todos eles. Aquele que borbulha (poc...popopopoc), pairando, criando milhões de micro-universos por segundo, existências inseguras e tão frágeis. Mas é só uma questão de ponto de vista e de relações. Dentro de cada bolha o tempo pode ser enorme. Quanto tempo dura minha bolha aos olhos de quem está fora? Que quer me mostrar, ó peixe-azul-flutuante? Pare já de criar bolhas!
Poc...
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